Por Da redação Quatro Marcos Noticias
Foto: Ilustrativa
Uma mulher de 79 anos, que estava internada no Pronto Atendimento de São José dos Quatro Marcos, foi transferida em uma UTI Móvel após 12h de espera para liberação de um leito de UTI na capital Cuiabá, pois no hospital Regional de Cáceres as vagas estavam todas ocupadas.

Segundo informações da Secretária de Saúde do município Tayonara Bitencourt, a senhora aguardava ser transferida para uma UTI da rede estadual de saúde desde às 7h desta sexta-feira (29), e somente foi transferida as 18h após inúmeras ligações para a regulação estadual.
Tayonara se mostrou preocupada com a situação da falta de leitos de UTI. Segunda a secretária recebeu informações na quarta-feira através de videoconferência que o estado teria 35 vagas de UTIs disponíveis para pacientes, de repente se viu na pele para ajudar a arrumar uma vaga para a paciente. “Preocupante essa situação de anunciarem números de vagas de UTI, e de uma hora para outra as vagas desaparecerem”. Afirmou.
Regional de Cáceres deverá receber mais leitos de UTI
“A cada dia, vemos o aumento do número de casos na região. Cáceres é um polo regional para atendimento médico. Os poucos leitos de UTI que temos estão gradativamente sendo ocupados e, se medidas não forem tomadas, não demorará muito para que haja saturação. Ademais, segundo estudos feitos, haverá a necessidade de 48 leitos de UTI, quantidade muito superior à existente”, afirmou a defensora Thaís Borges.
A Defensoria Pública de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual emitiram recomendação conjunta ao secretário de saúde, Gilberto Figueiredo, recomendando o acréscimo de 15 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais de Cáceres (219 km de Cuiabá) para receber pacientes diagnosticados ou com suspeita de Covid-19.
Na recomendação, foi considerado um estudo realizado pelo Governo do Estado, por meio do Escritório Regional de Saúde de Cáceres, que aponta, em um cenário otimista, a contaminação de 43% da população da região oeste do estado em três meses. Nesse cenário, seriam necessários 48 novos leitos para acolher todas as internações em UTI por Covid-19.
Levando em conta uma margem de segurança de 20%, a região necessitaria de 58 leitos. O estudo “Necessidade de Leitos de UTI para atendimento aos casos de Covid-19 em Cáceres e Região” menciona que “a necessidade de leitos de UTI consiste em preocupação constante em razão da pressão sobre os sistemas que apresentam crônico gargalo, podendo exceder em muito a capacidade do mesmo e afetar negativamente o sistema, causando aumento de óbitos e maior risco de contaminação entre os profissionais de saúde”.
“A UTI do Hospital Regional Antônio Fontes é vocacionada para os casos de trauma e emergência, com taxa de ocupação próxima de 100% frequentemente; enquanto a UTI do Hospital São Luiz é vocacionada para casos clínicos, com taxa de ocupação mensal de 95%”, diz o estudo. Portanto, a quantidade de UTIs existentes não é suficiente para a demanda gerada pelo novo coronavírus.
Assim, “em qualquer cenário, serão necessários novos leitos de UTI, especialmente se considerarmos as distâncias geográficas entre os municípios da macrorregião oeste e o fato de que a doença apresenta alta infectividade, expondo profissionais médicos e enfermeiros em viagem de acompanhamento do paciente em ambiente limitado e fechado”, narra o estudo epidemiológico realizado por professores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que procura antecipar tendências por meio de cenários hipotéticos.
